Brasil

“Meu nome é Caetano porque nasci no dia de sao Caetano, em louvor do qual minha mae manda celebrar missa todos os anos, mesmo na minha ausência. Nunca me senti uma exceçao por causa disso.

Santo Amaro nao tinha ricos nem pobres e era bem urbanizada e tinha estilo próprio: todos se orgulhavam com naturalidade de ser brasileiros.

Achávamos a língua portuguesa bela e clara. Dizíamos de bom grado que o francês (que aprendíamos no ginásio) era talvez uma língua ainda mais bela, e que o italiano (que ouvíamos freqüentemente nos filmes) seguramente o era (o espanhol dos filmes mexianos nos parecia bastante ridículo). Julgávamos o inglês fácil como matéria de estudo por possuir verbos pouco flexionados, mas implicávamos com as discrepâncias entre escrita e pronúncia, e lhe achávamos a sonoridade antes canina do que humana, embora os filmes e as cancoes nos atraíssem mais e mais para ele.

Quase todo o mundo era visivelmente mestiço. Que o pais fosse pobre nao era uma vergonha (embora eu passasse depois a torcer para que ele enriquecesse).

Supúnhamos que éramos pacíficos, afetivos e limpos. Era inimaginável que alguém nascido aqui quisesse viver em outro país” Caetano Veloso

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